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Psicóloga em Alphaville, Barueri – SP – Monica Komora

Terapia de casal ajuda quando um dos dois tem problema com bebida ou drogas?

Uma pergunta que aparece com frequência nas primeiras sessões de casal é: “isso adianta se um de nós bebe demais (ou usa alguma substância) e o outro não?” Normalmente vem carregada de uma mistura de esperança e cansaço — a pessoa já tentou conversar, já tentou dar ultimato, já tentou ignorar, e nada mudou de verdade.

A resposta direta é: depende do momento em que o casal está. A terapia de casal pode ajudar bastante, mas não é a porta de entrada em todos os casos — e entender essa diferença evita frustração e, às vezes, evita colocar mais peso em cima de quem já está sobrecarregado.

Na minha experiência, um erro comum é o casal tentar resolver na terapia conjugal um problema que primeiro precisa de tratamento individual e especializado. Isso não significa que a relação fique de fora — significa apenas que a ordem dos cuidados importa.

A terapia de casal substitui o tratamento da dependência?

Não. Esse é o ponto mais importante para deixar claro logo de início. A terapia de casal trabalha a dinâmica da relação — comunicação, confiança, papéis que cada um assumiu, ciclos de conflito. Ela não trata a dependência em si.

Quando existe uso abusivo de álcool ou outra substância, o tratamento específico — que pode incluir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia individual, grupos de apoio ou, em alguns casos, um período de cuidado mais intensivo — precisa acontecer em paralelo ou até antes da terapia de casal ganhar força.

Por que a terapia de casal sozinha costuma não ser suficiente nesse cenário?

Dependência química mexe com o funcionamento do cérebro relacionado a impulso, recompensa e controle. Isso significa que, enquanto o consumo estiver ativo e fora de controle, é muito difícil sustentar os combinados que surgem em terapia — mesmo que a intenção seja sincera na sessão.

Além disso, é comum que o parceiro que não bebe ou não usa a substância tenha, sem perceber, assumido um papel de “controlador” da situação: esconder garrafas, checar horários, cobrir consequências no trabalho ou com a família. Esse padrão tem nome — codependência — e também precisa de espaço de cuidado próprio, não só de reclamação dentro da sessão de casal.

Qual é o erro mais comum que eu vejo os casais cometerem?

O erro mais frequente é usar a terapia de casal como palco para cobrança direta: “fala pra ele/ela que precisa parar”. Isso transforma a sessão em mais um lugar de confronto, e não em um espaço de construção conjunta.

Eu não recomendo começar por aí. Prefiro, sempre que possível, entender primeiro se a pessoa com uso problemático reconhece que existe um problema e se já está em algum tipo de acompanhamento. Sem isso, a terapia de casal corre o risco de virar um ringue em vez de uma ponte.

“Na minha prática, é comum que o casal chegue à primeira sessão achando que o problema é ‘falta de comunicação’, quando na verdade a comunicação já quebrou justamente por causa do padrão de consumo não tratado.”

Importante entender que esse comportamento se estabeleceu porque encontrou espaço e também pode ocupar função regulatória dentro dessa relação! Nada acontece por acaso!

Quando a terapia de casal realmente ajuda nesse contexto?

A terapia de casal tende a fazer diferença real em alguns momentos específicos:

  • Quando a pessoa com uso problemático já iniciou tratamento (individual, psiquiátrico ou em grupo) e existe alguma estabilidade, mesmo que inicial;
  • Depois de um período de desintoxicação ou abstinência, para reconstruir confiança e reorganizar papéis dentro da relação;
  • Quando o objetivo não é “resolver a dependência”, mas sim trabalhar as consequências dela na relação — mágoas acumuladas, promessas quebradas, distanciamento;
  • Para o parceiro que carrega o peso da codependência, mesmo que o outro ainda não tenha aceitado ajuda — nesse caso, o foco inicial é cuidar de quem está pedindo ajuda primeiro.

Um ponto que costumo reforçar: buscar terapia de casal não precisa esperar a “solução completa” da dependência para começar a fazer sentido. Em muitos casos, o acompanhamento de casal caminha lado a lado com o tratamento individual, desde que os dois estejam claros sobre o que cada espaço se propõe a fazer.

O que costuma funcionar na prática

  • Buscar orientação profissional para entender qual é a porta de entrada certa para o momento do casal;
  • Separar claramente: tratamento da dependência de um lado, cuidado da relação do outro;
  • O parceiro que não usa a substância também buscar apoio próprio, mesmo que o outro ainda resista a tratamento;
  • Ter paciência com o tempo — reconstrução de confiança depois de um período de uso não acontece em poucas sessões.

O que fazer agora, se você está vivendo isso?

Se você chegou até aqui porque reconhece essa situação no seu relacionamento, o primeiro passo não precisa ser uma decisão definitiva sobre o futuro do casal. Pode ser simplesmente uma conversa com um profissional para entender o que está em jogo e qual caminho faz sentido no seu caso.

Eu atendo tanto o acompanhamento de casais que estão nesse momento delicado quanto pessoas que precisam de um espaço individual para lidar com o peso de conviver com a dependência de alguém que amam.

Se quiser entender qual seria o formato mais indicado para a sua situação, você pode me chamar no WhatsApp e conversamos com calma antes de qualquer decisão.

Perguntas frequentes

Adianta fazer terapia de casal se a pessoa ainda nega que tem um problema com bebida ou drogas?

É mais difícil, mas não impossível. Quando há negação, o foco inicial costuma ser ajudar o parceiro que reconhece o problema a lidar melhor com a situação e, em alguns casos, a terapia de casal serve como ponte para que a pessoa em negação aceite buscar tratamento individual.

O que é codependência e por que ela também precisa de tratamento?

Codependência é quando o parceiro que não tem o problema de uso passa a organizar boa parte da própria vida em função de controlar, esconder ou compensar as consequências do consumo do outro. Isso desgasta a saúde emocional dessa pessoa e também precisa de acompanhamento, mesmo que o foco inicial pareça ser só o outro.

Quantas sessões costumam ser necessárias nesse tipo de terapia de casal?

Não existe um número fixo, porque depende muito de onde a dependência está no momento (uso ativo, tratamento em andamento ou já estabilizado) e do histórico da relação. Geralmente é um trabalho de médio a longo prazo, com revisões periódicas dos objetivos.

É possível fazer terapia de casal e terapia individual para a dependência ao mesmo tempo?

Sim, e essa costuma ser a combinação mais eficaz. Os dois espaços têm objetivos diferentes e se complementam: um cuida do tratamento da dependência, o outro cuida da relação.

E se o parceiro que bebe ou usa drogas não quiser fazer terapia de casal?

Nesse caso, ainda vale a pena o outro parceiro buscar acompanhamento individual. Isso ajuda a organizar limites, entender a própria parte na dinâmica e tomar decisões mais claras sobre os próximos passos, com ou sem a participação do outro por enquanto.

Psicóloga Monica Komora é psicóloga clínica, CRP 06/118140, com atuação em psicoterapia individual e terapia de casal, atendimento em Alphaville, Barueri – SP e online para todo o Brasil e exterior.